Descobrindo a Córsega de bicicleta.
   

Você conhece alguém que já foi à Córsega?

Pois é, esse é um dos principais motivos que nos leva até a ilha onde nasceu Napoleão Bonaparte. Não que ele seja nosso ídolo, mas se o fato de ele ter nascido lá serve como referência, que seja.

Além disso, a Córsega tem história bem interessante, a começar pelo fato de estar muito mais próxima da Itália, bem acima da Sardenha e pertencer à França. Foram os genoveses que a venderam. Por sua situação estratégica, pela sua geografia e, logicamente pelo seu povo, a Córsega é um daqueles lugares que podemos guardar como um sonho de uma lua de mel perfeita ou um destino para lá de interessante.

Resolvemos juntar as duas coisas. Arnaldo e Valéria, mesmo que com um certo atraso, resolveram tirar férias e fazer uma lua de mel. Mas tinha que ser uma viagem especial. E aí não bastava apenas ter um bom destino, tínhamos que escolher um algo a mais.

Aproveitando uma já pré-existente experiência em cicloturismo do Arnaldo, que já realizou o Caminho de Santiago de Compostela (800 km) em bicicleta durante 18 dias e também um condicionamento físico mínimo necessário conseguido pelos dois em aulas freqüentes de "spinning", resolvemos fazer um circuito "by bike" no entorno da Ilha.

Serão cerca de 380 km que queremos dividir com a família, com os amigos e com os que tenham interesse em conhecer o planejamento e o prazer de realizar sonhos.

Esse é o Pedal 2004, no qual esperamos curtir ao máximo e poder transmitir via Internet as melhores imagens e emoções que vamos experimentar. Seja bem-vindo e aproveite!

 
 
 
 
 
 
Dia 18 - É hoje!

Para começar o nosso caminho em direção a Ajaccio, tomamos leite em caixa e baguete com manteiga. Um café da manhã light. Logicamente, sentimos fome no meio do caminho. E nessas horas, uma sombrinha no asfalto é o lugar mais propício para um lanche.



Ao invés de seguirmos pela estrada principal, seguimos pela estrada que vai costeando o lado oeste da ilha. Nesse trecho existem várias opções de caminho e as placas indicam sempre o melhor caminho para quem segue de carro, o que na maioria das vezes não significa o melhor para quem segue de bicicleta. No nosso caso é melhor um caminho um pouco mais longo, mas que seja mais plano, ou que não tenha grandes obstáculos.

Num determinado momento, ao optarmos por uma estrada terciária, nos deparamos com uma subida íngreme e longa. O calor era super desgastante e nossa paciência já não era a mesma do início da viagem. Ao perceber que a quilometragem já ultrapassara o ponto onde deveríamos voltar a descer e nos aproximar da praia, mas a subida não terminava, paramos para pedir um pouco de água e informação numa casa onde um casal aproveitava o domingo para fazer reparos na cerca de sua propriedade.

Agora sim podemos dizer que estávamos rodeados de anjos. Além de água fresca e informações quentes, fomos brindados com melancia e melão geladinhos. Uma hospitalidade que muitos franceses do continente não acreditam existir na Córsega.



Estávamos no caminho errado, mas comer aquelas frutas talvez tenha sido o grande motivo para subir até ali.

Retornando ao caminho correto, a ânsia de chegar e o cansaço mental e físico começam a interferir no rendimento. Foi aí que Valéria caiu de novo. Depois de uma descida num asfalto irregular, que terminava numa curva com uma subida logo em seguida, as marchas que já não estavam muito bem reguladas fizeram com que a corrente pulasse para fora das catracas e deixasse o pedal rodando em falso. Dessa vez, além de cair e voltar a bater o guidão contra a caixa torácica, Valéria ficou sem conseguir respirar direito e se deixou abater um pouco. Nossa caixinha de produtos higiênicos e farmacêuticos entrou em ação. Um Cataflan e água para acalmar e preparar para as dores que viriam.

Mais na frente descobrimos que ao seguir caminho, não guardamos a caixinha e acabamos ficando sem remédios, escovas e pasta de dentes, desodorante, fio dental, etc. Ou seja, estávamos em pleno domingo e sem os acessórios necessários para um ser humano se sentir em condições de um convívio social. Será que alguém teria coragem de se aproximar de nós. Valéria reclamava das dores e do estado de seu cabelo, agora entregues única e exclusivamente a ação do tempo.



CHEGAMOS!!!

A cidade vazia, vivendo um domingo monótono, nos fez parar apenas para umas comprinhas para garantir o jantar e o café da manhã do dia seguinte. Além disso, inspecionar o caminho que teríamos que fazer para o embarque no porto onde o Ferrie que nos levaria de volta ao continente atracaria, foi parte fundamental para evitar o estresse que vivemos em Marseille.

O jantar da última noite na Córsega tinha que ser de gala. Valéria não queria muito divulgar as fotos para evitar constrangimento. Não é que a gente queira deixar vocês com inveja, mas nosso compromisso desde o início foi divulgar o que aconteceu em nossa viagem com a maior riqueza de detalhes possível. Logo, ao apreciar a foto abaixo, preste atenção nas colheres de cristal com as quais nos alimentamos. Preste atenção também na rigidez das regras de etiquetas que tivemos que seguir.



Depois dessa só nos resta dormir e relatar o dia em que deixamos a Córsega em direção a Nice, nos preparando para uma semana de férias (merecidas) na Provence.

Mais uma vez, bonne nuit!

Sábado, Julho 31, 2004

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Dia 17 - Penúltimo dia de pedalada

Ao sairmos do camping, imaginávamos que começaríamos o dia com uma longa descida, pois o dia anterior terminou com uma super ladeira. Decidimos não entrar na cidade de Bonifácio, já que nosso tempo era curto e essa visita significaria descer 2,5km e, conseqüentemente, subi-los novamente para seguir nosso caminho. Não nos arrependemos, apenas deixamos uma visita a Bonifácio para a próxima vez na ilha, a partir de agora tínhamos a certeza de que voltaremos um dia.



É de Bonifácio que se pode cruzar para a Sardenha, ilha italiana bem próxima do sul da Córsega.

Percorrendo as estradas próximas ao litoral, subidas e descidas vão se sucedendo, assim como os mais diferentes visuais.

E lá vem a Valéria subindo.



Olha que ficou pra trás (pra baixo).



Olha ao que ainda tem pela frente (pra cima).



Depois de subir muito sob um calor infernal, encontramos um restaurante no qual conseguimos água fresca. Nossas garrafas estavam abastecidas de uma água tão quente, que mais parecia chá. Cem metros depois de deixarmos o restaurante, o pneu da bicicleta do Arnaldo voltou a esvaziar. Não eram furos. O interior da roda é que estava corroendo a câmera. Aproveitamos uma sombra na beira da estrada para almoçar enquanto providenciávamos o conserto.

Mas como nem tudo são flores, durante uma parte não muito difícil do trajeto, Valéria teve problemas com as marchas e, não conseguindo soltar a sapatilha do pedal, caiu. Cair não é o problema, mas o guidão bateu na parte alta do peito, em cima das costelas. Ficou marcado e dolorido, mas nada que a impedisse de seguir pedalando.

Mais à frente, o pneu insistiu em dar problema. Dessa vez um problema quase sem solução. Sábado a tarde, num posto de gasolina do povoado chamado Sartene, uma câmera insistia em não aceitar o remendo a frio utilizado para tapar os buracos e a outra ao ser colocada (mal colocada) acabou estourando ao ser enchida. Resumo, não tínhamos como prosseguir.



Sartene


Foi aí que começou mais um capítulo das várias histórias que se vive nesse tipo de viagem, mas que no final, olhando pra trás, temos a certeza de que nada acontece por acaso.

Resolvemos pedir ajuda a mulher que tomava conta do caixa e da loja de conveniência do posto. A grande sorte foi que uma amiga dela parou para tomar um café e fofocar. Foi ela que acabou utilizando o celular para chamar um amigo ciclista e pedir-lhe ajuda. E que ajuda!
Matteaccioli Ange, um verdadeiro anjo ciclista, dono de um caminhão de pizza em Sartene, chegou com duas câmeras, um pneu e muito boa vontade. Além de não cobrar nada, nos deu várias dicas sobre distâncias e características do que ainda teríamos pela frente.

Nos restou pagar uma rodada de cerveja para todos e esperar que a mulher que tomava conta do posto fizesse uma espécie de reserva num camping logo na saída de Propriano. O nosso desespero e preocupação foi tanto, que nem foto tiramos desse momento. Mas, quando chegamos no camping Tikiti, assim como todos os outros recebemos um número para ser pendurado na barraca. Dessa vez o número não poderia ser outro, 171.



O chão do camping era super duro, praticamente impossível de colocar as estacas da barraca. Ao perceber nosso sufoco, um casal numa barraca próxima resolveu oferecer um martelo para facilitar nossa vida. Um casal de Eslovacos que acabou tirando a foto acima. Iluminação e positividade ainda nos acompanham.

Um banho sem sabonete, já que o nosso acabou e nós esquecemos de providenciar um novo e um jantar com estilo de pic-nic acompanhado de vinho rosé geladinho foi o suficiente para fazer-nos dormir como nunca e nos preparar para o último dia de pedal.

Sábado, Julho 31, 2004

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Nossas fotos - http://br.f2.pg.photos.yahoo.com/ph/vmartins04/my_photos

Dia 16 - 4º dia de pedalada

Começamos o dia com um imprevisto. Mas para explicar é necessário voltar à noite anterior.
Quando já estávamos quase dormindo, escutamos um barulho de uma pessoa se aproximando da barraca com uma lanterna. Não só se aproximando como "batendo na porta". Arnaldo se levantou e ao abrir a "porta" se deparou com o segurança do camping pedindo que mudássemos as bicicletas de lugar, pois apesar de estarem presas ao cadeado numa árvore, estavam na mira de um holofote que poderia chamar a atenção de algum malandrinho. Ao fazer a mudança, Arnaldo verificou que o pneu traseiro de sua bicicleta estava vazio. Coincidências à parte, algumas horas antes Arnaldo estava debruçado sobre as bicicletas comentando o fato de elas estarem agüentando o tranco, principalmente os pneus. Só nos restou consertar e seguir. Na verdade ao invés de consertar a câmera, aproveitamos a câmera sobressalente (nova) e trocamos.

Feito o reparo, lá vamos nós!

A preocupação com o que ainda nos faltava aumentou um pouco, mas nada que altere nossos planos. Começamos pedalando bem e rendendo muito, ajudados por um trecho não muito difícil. Após 33km passamos por uma ponte que passa sobre o rio Solenraza, de águas verdes e cristalinas, um convite ao ócio. Poucas palavras...



O dia continuou rendendo muito bem, ajudando principalmente por causa do tipo de estrada que fomos encontrando pela frente. Mais uma vez fomos brindados por paisagens paradisíacas. Praias. De todos os tipos e tamanhos. Dessa vez a praia de Pinarellu. Poucas palavras...



Depois de quase 70km, seguimos por um caminho alternativo até chegarmos a Porto Vecchio. Um paraíso para os donos de iates e veleiros. Um "point" para milionários. Um local onde é possível se alugar embarcações de todos os tipos e para as mais diversas finalidades. Desde simples passeios até pesca oceânica.



Daí em diante, como já havíamos percorrido um bom trecho, já estávamos um pouco cansados e já eram quase 19h, resolvemos que pararíamos no primeiro camping que aparecesse, sem que tivéssemos que sair muito do nosso caminho. Mais uma vez o pneu nos pegou de surpresa. Dessa vez bem em frente a um posto de gasolina. Apesar de ali haver um borracheiro, Arnaldo consertou a câmera e aproveitou a bomba de ar do posto para que pudéssemos seguir caminho.



Seguir caminho nesse caso significou cerca de 30km. Ao ultrapassarmos a marca de 106km no dia, não víamos a hora de encontrar um camping e a cidade de Bonifácio se aproximava. Foi quando nos deparamos com uma enorme subida. Não muito íngreme, mas longa. Depois de um dia intenso, pedalar essa subida sonhando com um camping foi um teste para os nervos e para o psicológico. Mas nada como um esforço para conseguir uma boa recompensa. No topo da montanha deparamo-nos com um camping num lugar super bonito, onde até uma piscina faz parte da infra-estrutura. É uma pena que na maioria das vezes não tínhamos tempo ou disposição para desfrutar de tudo que estava ao nosso dispor, mas encontrar aquele camping foi como encontrar um oásis no deserto. Mas do que isso foi um prêmio ao maior trecho percorrido até então.



Uma cerveja gelada, uma pizza e........................zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz!

Terça-feira, Julho 27, 2004

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Dia 15 - 3º dia de pedalada.

Começamos o dia um pouco preocupados com o tempo e a distância que faltava para chegarmos a Ajaccio, lugar de onde partiríamos de "Ferrie" em direção a Nice no dia 19. Saímos do camping sabendo que teríamos uma estrada movimentada pela frente, mas imaginando que pudéssemos escolher caminhos alternativos e menos movimentados. A estrada principal além de movimentada, não tem acostamento e se transforma num caminho um pouco mais perigoso do que os percorridos até então.



O primeiro trecho aparentemente seguia pelo litoral, mas apesar de ser plano e contornar um lago que é uma reserva natural (Etang de Biguglia) e ter uma ciclovia, fazia uma volta maior do que se seguíssemos pela estrada. Para compensar, de vez em quando éramos brindados com paisagens e atrativos inusitados, como uma igreja onde escavações recentes encontraram vestígios romanos. No momento em que passamos, resolvemos visitar e presenciamos inclusive uma palestra sobre as descobertas.



Comparando com outros dias, em torno das 12h30min já tínhamos percorrido um pouco mais de 30 km, o que significava um bom rendimento, mas não tínhamos avançado muito. Na tentativa de buscar um novo caminho alternativo, paramos para mais um almoço na beira da estrada e acabamos decidindo encarar a estrada e avançar. O clima e o asfalto quente se transformavam em obstáculos duros. O dia foi caracterizado muito mais pelo esforço do que pelas belezas, o que acaba fazendo parte desse tipo de viagem.



Depois de percorrermos quase 70 km, decidimos por mais uma parada para comer e descansar. Na Europa, principalmente nessa época do ano, o dia fica claro até às 21h30min, facilitando assim as grandes jornadas.



Mas depois de todo esforço, nada como uma recompensa. Chegamos ao povoado de Aléria, local de mais um pernoite, de mais um camping.



A curiosidade ficou por conta de nossa chegada ao camping. Ficamos sabendo que na noite anterior houve um show de um grupo brasileiro, com samba, batucada, mulata, etc. Vale também um comentário sobre os campings. São todos de qualidade boa pra cima. Boa estrutura de banheiros com água quente, local para lavar louça e roupa, segurança e muita, muita gente. No caso do camping de Aléria, parecia mais um "resort". Além de um bom restaurante (tocando bossa nova como música ambiente), opções variadas de lazer que iam de show ao vivo a vídeo games.



Bem mais um dia de dever cumprido.

E antes de continuar, duas coisinhas:

1) Corrigindo nossa falha, o recorde de quilometragem é só no 4º dia.
2) Aqui vai um agradecimento antecipado pelas mensagens que estamos recebendo. Beijos no coração de todos.

Bonne nuit!!!

Terça-feira, Julho 27, 2004

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Dia 14, 2o dia de pedalada na Corsega, a gente começa a se acostumar com a nova rotina. Acordar, guardar os sacos de dormir, desarmar barraca, arrumar as tralhas nas bicicletas e tudo isso enquanto tomamos o nosso café da manha. Praticamente todos os campings tem um mini mercado, onde é possivel comprar pao, leite, manteiga e outros produtos que podem ser necessarios durante o dia. A grande diferença é que a grande maioria das pessoas esta viajando de carro ou de "moto-home", o que no Brasil nos chamamos de "trailler". Nesse caso é possivel levar de tudo e mais um pouco, o que nao era o nosso caso. So levavamos o estritamente necessario, o que ja era demais.



Começamos o dia passando por uma praia super gostosa bem perto do camping, que nao tivemos condiçoes de apreciar e aproveitar na noite anterior. Apesar de no verao o dia so começar a escurecer depois das 21h30min, praticamente todos os dias nos terminavamos esgotados.



No dia anterior começamos subindo 11km, dessa vez foram so 5km. E bom pra aquecer. Além de saber que na sequencia vem uma descida, as vistas sao sempre impressionantes.



Dessa vez a descida valeu muito a pena, foram mais de 8km. No final mais praia de aguas cirstalinas. Estavamos na ponta do dedo da ilha (ver mapa acima). Acabamos de dar a volta no que é chamado de Cap Corse. Iniciamos o trajeto que nos levaria ao sul da ilha. Mas como ninguém é de ferro, que tal um mergulho?



Valéria, ja acostumada ao costume europeu, trocou de roupa ali mesmo, na beira da estrada, o que significa beira do mar também.



Quando chegamos de volta a cidade de Bastia, onde começamos a viagem, esperavamos encontrar o super mercardo, a loja de consertos de bicicleta e um cyber café abertos. Assim poderiamos botar nossas vidas em dia. Foi ai que nos demos conta de que era feriado nacional na França. Nada demais, apenas o feriado mais importante do pais. 14 de julho é o dia em que se comemora a queda da Bastilha. Ja que é assim, fizemos um ¿pit stop¿ num bar e seguimos viagem.
Fomos parar um pouco depois de Bastia, num camping a beira mar. Um mergulho ao sol das 21h, um bom banho e um bom jantar.



Enquanto a Valéria tomava banho, Arnaldo fez amizade com tres portugueses que moram na ilha ha 18 anos. Trabalham na construçao civil e nos deram algumas dicas. Uma das preocupaçoes da Valéria eram os atentados terroristas que acontecem na Corsega. Ainda existe um movimento de independencia da Corsega, que segundo os portugueses fez com que o movimento turistico caisse em mais de 50%. So que além de serem atentados direcionados, eles sao cada vez mais raros. Ainda se pode ver as placas das estradas perfuradas de balas, mas nos nao tivemos nenhuma sensaçao de insegurança.

Durante o jantar, depois de escurecer, rolou muitos fogos de artificio pela comemoraçao da queda da Bastilha, mas ai ja era hora de dormir, até porque o vinho começou a bater, hoje foram 67km e o dia seguinte nos esperava com uma quilometragem recorde. Mas isso ja é outra historia, so amanha.


Quinta-feira, Julho 22, 2004

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Alo galera!

Agora vai!

Nos pensamos que seria facil ficar atualizando o blog durante a viagem, mas foi decepcionante descobrir que nao é tao facil assim encontrar internet na Corsega. Por isso pedimos desculpas pela expectativa criada e agora, com acesso garantido ao mundo civilizado, vamos contar como foi nossa aventura, apesar de ainda estarmos em solo frances. E por falar nisso, se alguém perceber que falta alguma acentuaçao no texto, é porque o teclado so fala (escreve) em frances.
Mas sem enrolaçao, vamos ao que interessa:



Embarcamos em Natal achando que estava tudo 100%. O ultimo problema que tivemos foi com o computador que marca a quilometragem, tempo de viagem, velocidade maxima, velocidade média, etc. Estavam os dois funcionando, mas na pressa de embalar as "magrelas", o cabo do computador do Arnaldo, que tinha acabado de ser consertado, arrebentou. Pura ilusao.

Voamos de Natal para Madrid e de la fizemos uma conexao para Marseille. Até ai tudo bem. Em Marseille tinhamos uma pessoa (Mrs. Durand) esperando por nos, com plaquinha e tudo. Coisa de Guia!!! Precisavamos de um transfer do aeorporto até o porto, ja que o tempo era suficiente, mas curto. So nao sabiamos o quanto era curto esse tempo. Na chegada ao porto enfrentamos engarrafamento e uma certa confusao para fazer o "check in" e embarcar. So ai é que descobrimos que seria mais facil embarcar no "Ferrie", com as bicicletas montadas e pedalando. Em 50min tivemos que desembalar e montar as duas bicicletas embaixo de um viaduto, montar os alforjes e bagagem, fazer "check in" e enquanto esperavamos junto com outras bicicletas e motos a autorizaçao para o embarque, pudemos dar os ultimos retoques, como por exemplo encher os pneus.



Zarpamos! Finalmente!





Bon jour!

O alto falante nos acorda e é hora de se preparar para o desembarque. Dividimos a cabine com um casal frances que estava de moto. Na cabine sao apenas 4 camas, armario e uma pia. Tomar banho é no banheiro que serve ao barco inteiro. E logico que tem cabine privativa com banheiro privativo, ma$...







Enquanto Valéria tomava "petit déjeuner" (1 café com leite e 1 croissant por 3 euros, ou seja R$ 10,80), Arnaldo fazia amizade com o ladrao (dono do bar) e, empolgado deixou cair a bike arrebentando o cabo do unico computador que ainda funcionava. Mesmo assim demos sorte. Estavamos do lado de um super mercado e da unica loja de bicicleta de Bastia. So que ainda era muito cedo, cerca de 8h da manha. Sendo assim, até que resolvessemos todos as nossas ultimas pendencias, so começamos a pedalar 11h.

Pra começar foram 11 km de pura subida, quase 2 horas de pedalada em camera lenta. Foi ai que aprendemos uma expressao que nos acompanhou durante os proximos dias : "Bonne journée". Chegamos a 536 metros de altitude. Para quem se aventura nessas loucuras, o unico alento é saber que logo depois tem uma descida.





Nosso primeiro objetivo era Patrimonio, local de produçao de um dos bons vinhos da ilha. Depois de experimentar uma taça de vinho tinto (3,50 euros) e uma agua mineral (4 euros), achamos uma pequena vinicola onde conseguimos 1 litro de vinho rosé por 2 euros. A partir dai eram sempre duas garrafas de agua e uma de vinho (energético). Até a Valéria entrou no vinho.



Depois da primeira grande descida, tivemos a felicidade de econtrar o nosso primeiro oasis. Uma praia com aguas transparentes. Paramos e fizemos a primeira farofa na Corsega.



E que tal saber onde estamos?



Um dos bons exemplos da cor d agua na Corsega, é a praia de Nonza.



E depois de tanto energético (vinho)... zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz



Completamos 73 km até chegar a Morsiglia. Primeiro camping, primeiro descanso.
Bonne nuit!
Amanha tem mais.

Quarta-feira, Julho 21, 2004

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